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Festa de Santa Luzia
07-dez-2009
Uma lenda datada do início do século XX teria dado início às romarias em louvor à Santa Luzia. Segundo ela, um cego que sentia muito calor resolveu lavar o rosto com a água de uma fonte na região do comércio. Ao levantar o rosto lavado pela água, o homem teria enxergado o azul do céu e, devido à forte emoção, teria morrido uma semana depois. Até hoje, centenas de fiéis formam fila para armazenar a água da Fonte de Santa Luzia, localizada numa gruta ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Pilar. A igreja guarda a imagem da Santa desde o século XIX, quando um incêndio destruiu a sua capela que se localizava na região portuária de Salvador. A Festa se inicia às 5:30 da manhã do dia 13 de dezembro com uma alvorada de fogos. Várias missas se seguem durante a manhã e à tarde. Após a missa das 16:30 horas, uma procissão percorre as ruas do Comércio em direção à Basílica da Conceição da Praia. Ao longo das ruas, várias barracas montadas revelam o lado profano da festa em louvor à protetora da visão. O dia 13 de dezembro foi escolhido como data da festa por ser o dia da morte da santa.

CURIOSIDADES:

HISTÓRIA DE SANTA LUZIA
Santa Luzia, virgem e mártir, é um dos modelos mais acabados de santidade que surgiu nos primeiros séculos do cristianismo. Nasceu em Siracusa, cidade da Sicília (Itália) entre os anos de 280 a 290. De família ilustre, pois seus pais pertenciam a nobreza siciliana. Sua mãe Eutíquia, depois de convertida ao cristianismo, tornou-se fervorosa dama cristã e, segundo se afirma, recebeu como a filha a palma do martírio. O nascimento de Luzia foi motivo de grande alegria para toda a família por ser o primeiro e o único fruto da união indissolúvel dos seus venturosos pais. Constituiu-se ela numa risonha esperança para todos os familiares. Bem cedo, porém, Luzia se viu privada do afeto paterno. O pai que amava com entranhado amor e nela via um sinal de glória e de justificado orgulho, deixou este mundo quando Luzia tinha quatro anos apenas. Na verdade a inocente menina tornaria glorioso o nome da família não somente em Siracusa mas em todo o mundo pela excelência de suas virtudes, pela sua pureza angélica e pelo seu acendrado amor a Nosso Senhor. Seus dotes físicos eram de tal encanto parecendo que o céu houvesse feito estravasar por sobre ela a abundância dos seus dons: os olhos traduzindo a pureza da alma e o rosto de uma formosura incomum. Tais predicados chamarama atenção de quantos a viram e foi, por isso mesmo que atraiu os olhares de um jovem de nobre linhagem que dela se enamorou e manifestou o desejo sincero de tê-la como esposa. Em se tratando de um moço que se distinguia pela nobreza da estirpe, refinada educação e senhor de muitos haveres, não faltaram reiterados e insistentes apelos da parte dos familiares de Luzia para que aceitasse o vantajoso e honroso partido. Ela porém, que de há muito havia se comprometido com o Esposo Divino, consagrando-se-lhe inteiramente pelo voto de castidade, recusou, com nobreza, a proposta do reputado patrício. Para se assegurar cada vez mais nos santos desejos, quis visitar, em Catânia, junto com sua mãe, enferma, o túmulo da virgem e mártir Santa Águeda que também havia preferido o martírio às honras do mundo, com o intuito de recomendar à gloriosa padroeira daquela cidade siciliana o voto que fizera de, como ela, ser tão somente de Jesus Cristo, o Divino Esposo. Da visita ao túmulo da excelsa virgem e mártir resultou a cura de uma doença grave em sua mãe, e hauriu mais força e coragem para se manter fiel nos santos propósitos. O século terceiro foi tristemente célebre pelas ferozes perseguições aos cristãos sobretudo ao tempo de Diocleciano e Maximiliano. Luzia e seus familiares, fervorosos praticantes do cristianismo, viviam vida acentuadamente cristã, não só através de exercícios religiosos em casa e nas catacumbas, mas também, valendo-se dos bens da fortuna que possuiam, auxiliando generosamente os pobres e doentes. Eram inúmeros os necessitados que procuravam a casa de Luzia afim de receberem alimentos, roupas, remédios e mais que tudo isso, lições do Santo Evangelho. A prática de tanta caridade irritou terrivelmente os perseguidores dos cristãos e para que tal prática fosse abolida, o jovem pretendente à mão de Luzia, denunciou-a ao feroz inimigo dos seguidores de Cristo, o prefeito Pascásio, induzindo-o, pelo seu prestígio a forçar a jovem cristã a aceitá-lo como esposo. Pascásio não se fez de rogado e atendeu de súbito à solicitação do moço fidalgo. Imediatamente ordenou que trouxessem à sua presença a inocente Luzia, obrigando-a a abandonar o cristianismo e aceitar o jovem patrício como esposo, se recusasse, o preço seria a morte. Mas Luzia não se atemorizou com as ameaças de Pascásio e permaneceu fiel na resolução de ser somente esposa de Jesus Cristo pelo voto de castidade. O prefeito, irritado com a corajosa recusa de Luzia, ameaçou violar seu corpo virginal. Ao ouvir a terrível ameaça, a princípio Luzia se apavorou, mas depois confiante na proteção divina pode dizer como São Paulo "tudo posso naquele que me conforta " e respondeu ao algóz: " o corpo só é violado quando há consentimento e por isso mesmo eu te digo: Deus que conhece os meus desejos, propósitos e pensamentos, sabe que eu de modo algum lhe serei infiel, enquanto tu, Pascásio, não podes induzir-me ao pecado. Aqui está meu corpo disposto a todas as torturas : porque demoras? Começa a por em prática o que teu pai, o demônio, deseja", foram suas últimas palavras. Admiremos a fortaleza de ânimo da jovem Luzia e em suas palavras divisemos o Divino Espírito Santo a sugerí-las. Logo em seguida, Luzia é condenada à morte, maravilhando a todos com sua inabalável resolução e seu profundo espírito de fé. Antes, porém, de infligir-lhe o martírio, Pascásio ordenou que lhe atassem fortemente as mãos e os pés. Aproximava-se a hora por ela tão desejada, hora em que podia entregar sua bela alma ao Esposo celeste e ser imersa em Deus que lhe sugeria tudo o que dizia. Ajoelhada em atitude de oração proferiu estas memoráveis palavras: " Senhor, eis que suplico paz para a Igreja de Cristo. Dioclesiano e Maximiliano decairão do império como a cidade de Catânia venera a Santa Águeda, também serei venerada por graça do Senhor Jesus Cristo, observando de coração os preceitos do Senhor." Nem bem acabava de pronunciar estas palavras, quando o juiz irado e insolente vendo-a triunfar de todas as provações, afim de puni-la mandou degola-la. Um dos algozes mergulhou-lhe um punhal na garganta que a transpassou e ela entregou sua cândida alma a seu criador e Esposo Divino. Cerrou-se as suaves pupilas à luz terrena, para contemplar com os olhos gloriosos da Visão Beatífica na Mansão dos justos. Ao cair martirizada seu corpo permaneceu em atitude de oração e o rosto voltado para o céu. Sua alma, partida do corpo virginal subia ao céu acompanhada de um cortejo de anjos para ocupar o trono que lhe estava preparado e receber a dúplice coroa tanto almejada da virgindade e do martírio. Era o dia 13 de dezembro de 304. Neste mesmo dia Diocleciano que se vangloriava de haver banido o cristianismo do Império, era acometido de grave enfermidade que conforme testemunho ocular de Lactâncio pareceu a todos que havia morrido. Recuperado apareceu somente para abdicar de suas funções no cume de uma colina de Nicomédia a 1º de maio de 305. Nesse mesmo dia, Maximiliano abdicava em Milão. Os cristãos de Siracusa logo após a morte de Santa Luzia elegeram sua padroeira e já no ano 310, seis anos após sua morte, no mesmo local onde se dera o martírio construíram um templo em sua honra. O corpo da virgem e mártir recolhido com reverência e piedade fora colocado num lugar sagrado, nas catacumbas onde dormiam os filhos da Cruz e os mártires do Senhor até que em 1040 o general grego Jorge Mariace apoderando-se da cidade de Siracusa requisitou o corpo da santa e o fez transportar para Constantinopla afim de doá-lo à imperatriz Teodora. Finalmente os cruzados venezianos após a conquista de 1204 levaram-no para Veneza onde ainda hoje se venera na igreja de São Jeremias sob o altar lateral e conservado numa preciosa urna de mármore. (http://pessoal.netsite.com.br/pascomstaluzia/novo/principal.php?id=sobresantaluzia}

A LENDA DE SANTA LUZIA – PROTETORA DOS OLHOS

A lenda que deu origem à devoção de Santa Luzia como protetora dos olhos e da vista deve-se ao seguinte fato: perguntada por que não consentia no casamento com um jovem que a desejava como esposa, ela em resposta disse-lhe "mas afinal o que o nobre patrício vê em mim que seja belo e desejável?" O tirano respondeu: "os teus olhos brilham como duas estrelas e encantam como duas pérolas", ao que Luzia acrescentou: "traga-me um prato" e quando lhe foi apresentado numa bandeja de prata, Luzia, num gesto rápido e sublime heroísmo, arrancou os dois olhos tão decantados e os colocou na bandeja ordenando que os enviasse ao seu pretendente. Muito embora este fato seja apenas uma lenda, por este motivo e também pelo significado do nome de Luzia (que quer dizer luz) nasceu naqueles povos grande devoção a Santa Luzia como protetora dos olhos e muitos prodígios foram operados por ela nesse sentido.

MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO PILAR E CEMITÉRIO ANEXO

Situa-se a igreja na parte baixa da cidade, próxima ao porto, no sopé da Montanha que divide a cidade em dois níveis. Na vizinhança da igreja estão situados grandes armazéns e sobrados convertidos em pardieiros. A igreja integra a zona de preservação rigorosa (GP-1) estabelecida pela Lei Municipal nº 2.403 de 23.08.1972 e a encosta da Montanha é considerada área "non aedificandi" (GP-1) pelo Decreto Municipal nº 4.524 de 01.11.1973.
Edifício de notável mérito arquitetônico. A igreja é precedida de um amplo adro, à direita do qual se encontra, em cota mais elevada, o cemitério da Irmandade de feição neo-clássica. Portal e cercaduras de janelas da igreja são de lioz talhados em Lisboa. O teto da nave foi pintado por José Teófilo de Jesus (Ca 1837). Existem azulejos do período 1750/60 de diferentes oficinas portuguesas. Os painéis de azulejos da nave são atribuídos à oficina do Juncal; os da capela-mor possuem cercadura rococó e fundo marmoreado azul. Existem ainda azulejos nos corredores laterais à capela-mor e na sacristia também de gosto rococó. Dentre a imaginária, destaca-se a imagem de Santa Luzia, do séc. XVIII. A igreja é rica em alfaias, possuindo coroa com 140 brilhantes, diadema de ouro proveniente do Porto, além de custódias e cálices.
Esta é uma das raras igrejas baianas a apresentar um alongamento da planta, que foi a preocupação dos arquitetos mineiros, possivelmente inspirados na igreja de S. Paulo de Braga (Portugal) do final do séc. XVII. Os corredores laterais foram suprimidos ao longo da nave e reduzidos a estreitas ligações ao longo da capela-mor que conduzem à sacristia transversal. Esta disposição é adotada também nas igrejas dos conventos franciscanos do Nordeste. Sua fachada (Ca 1770) apresenta portas e janelas coroadas por frontões retilíneos e curvilíneos sem entablamento, executados em lioz de Lisboa, onde começava a florescer o espírito arquitetural que conduziria ao neo-clássico. Esta tendência, também notada em outras igrejas do mesmo período, como Conceição e Santana, não vingaria na Bahia, a não ser no século seguinte, na decoração interior. O frontão do corpo principal apresenta um tratamento rococó dos mais requintados e comprova a não aceitação na Bahia dos modelos que empolgavam Lisboa na época. A terminação da torre se assemelha às coberturas à Mansard, também notadas nas igrejas do convento do Carmo e Santana. O cemitério sob a influência do neo-clássico tomou a forma de um monumental pórtico eneástilo.
Histórico arquitetônico: Frei Agostinho de Santa Maria informa que os fundadores da igreja foram Pe. Pascoal Duram de Carvalho, João Heitor e Manoel Gomes; 1718 - A Irmandade foi instituída e teve aprovação do seu compromisso em 1719; 1739 - Contribuição real para a edificação da capela-mor. Bazin acredita que a igreja tivesse sido iniciada nesse ano; 1756 - Decisão municipal autoriza desmontar encosta para construção do adro da igreja; 1770 - Execução do frontispício, segundo documento da Santa Casa de Misericórdia, citado por Bazin; 1796 - José Joaquim da Rocha faz o douramento e pintura da sacristia e seis painéis; 1798 - Fatura da cornija; 1799 - Encomenda a Felipe Ribeiro Filgueiras pedra do Reino para lajear a igreja e soleira das portas. Edificação do cemitério; 1834 - executados 8 painéis e douramento da talha por José Téofilo de Jesus; 1837 - Pintura do forro por José Téofilo de Jesus; 1838/39 - Encomendados a Joaquim Francisco de Mattos 4 altares da nave, 6 tribunas, 2 púlpitos, talha do coro, portas, molduras para painéis e obras do batistério; 1843 - Desabamento de terra arruina o consistório e retarda douramento da talha; 1848 - Douramento das novas talhas por Manoel Joaquim Lino; 1902 - Construção de dois novos altares laterais em gesso; 1903 - Substituição das grades de madeira do batistério por ferro.
Fonte: Cd-room IPAC-BA: Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Bahia, Secretaria de Cultura e Turismo.
 
Na Mídia
:: SALVE LUZIA, PROTETORA DA VISÃO, A TARDE, 10.12.2003, Cleidiane Ramos
:: CELEBRAÇÃO PARA SANTA LUZIA SERÁ REALIZADA FORA DA IGREJA, A TARDE, 13.12.2006, Salvador, p.6, Sylvi
:: FÉ LEVA FIÉIS A REPETIR A SENA MÍSTICA DE LAVAR OLHOS COM A ÁGUA DA FONTE, JORNAL DA BAHIA, 14.12.19
:: RESTRIÇÕES NÃO AFASTARAM POVO DE SANTA LUZIA, A TARDE, 15.12.1975, cad 1, p.3
:: SANTA LUZIA TEM FESTA MAS A IGREJA ESTÁ ABANDONADA, CORREIO DA BAHIA, 13.12.1988, cad 1, p.5
:: IRMANDADE JÁ PREPARA TRÍDUO EM HOMENAGEM A SANTA LUZIA, A TARDE, 10.12.1999, cad 1, p.7, José Bomfim
:: SANTA DOS OLHOS GANHA HOMENAGEM HOJE, A TARDE, 13.12.2004, Local, p.7, Carla Ferreira
:: SANTA LUZIA REVERENCIADA PELOS CATÓLICOS COM MISSA E PROCISSÃO, A TARDE, 14.12.1996
:: ÁGUA DA DEVOÇÃO, MAIOR MOTIVAÇÃO DESTA FESTA, CORREIO DA BAHIA, 12.12.1979
:: SANTA LUZIA COMEÇA MOVIMENTAR O PILAR, CORREIO DA BAHIA, 10.12.1988, cad 1, p.5
:: MISSA DE SANTA LUZIA SERÁ NA ESCADA, A TARDE, 06.12.1997, cad 1, p.7

:: SANTA LUZIA PROTEGE A VISTA E A DEVOÇÃO VAI COMEÇAR AMANHÃ, A TARDE, 09.12.1979

 

 

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